Ação do “Anonymous” expõe ao ridículo agente americano envolvido no combate aos cybercrimes.

Anonymous versus DOJUm incidente noticiado nesta semana pela imprensa de todo o mundo, deixa clara a necessidade de que o combate ao cybercrime somente seja realizado por profissionais experientes e bem treinados.
O grupo de hackers “Anonymous” lançou um novo ataque sobre unidades de investigação de crimes com a divulgação do que eles dizem que são e-mails pessoais furtados de um investigador de crimes cibernéticos da Califórnia.
O cache de e-mails, que de acordo com o grupo “AntiSec” são da conta de Fred Baclagan, um Agente Especial Supervisor do Departamento de Justiça da Califórnia já aposentado, inclui 30 mil e-mails detalhando técnicas de computação forense e vários protocolos de investigação de cybercrimes.
Os hackers afirmam ter invadido a conta do Gmail do Agente Baclagan e terem acessado seu correio de voz e registros de mensagens SMS usando técnicas não especificadas, como parte de sua campanha em curso contra agentes da lei e seus “aliados” na indústria de segurança de computadores.
A divulgação dos e-mails, alardeada como um bomba na última sexta-feira e que se tornou parte do lançamento de um grupo de hackers denominado “FuckFBIFriday”, trouxe também informações pessoais do Agente Baclagan, tais como endereço de sua casa e seu número de telefone privado.
Porém, as informações mais interessantes contidas nos e-mails são os arquivos referentes aos anos de 2005 a 2011 que trazem listas de e-mails internos da “International Association of Computer Investigative Specialists”, uma organização voluntária sem fins lucrativos formada por profissionais pertencentes a agências de investigação de crimes cujo objetivo é desenvolver e registrar as melhores práticas em computação forense.
Os arquivos detalham os métodos usados para reunir provas eletrônicas conduzir investigações e efetuar prisões, além de relacionar as unidades táticas de combate ao cibercrime.
Um membro do “Anonymous” afirmou num comunicado que acompanha a divulgação dos e-mails, que o conhecimento destas técnicas irá ajudar a desenvolver melhores “hacktivistas” e novas técnicas anti-forense.
No material vazado há discussões sobre o uso do software forense “EnCase”, sobre tentativas de “crackear” drives criptografados com “TrueCrypt”, “sniifing” do tráfego de redes sem fio em veículos de vigilância móvel, melhor forma de preparar mandados de busca e apreensão, além de um monte de gente sem noção fazendo perguntas sobre como utilizar softwares básicos como “F.T.P.”. A divulgação da lista inteira de e-mails do “IACIS”, fez com que os administradores da mesma entrassem em pânico fechando-a, além de tirarem o site da associação da internet.
O Agente Baclagan teria sido ouvido pelo “Huffington Post” e afirmado que ele não era alguém especial no Departamento de Justiça, afirmando ainda que havia se especializado em furto de identidade antes de se aposentar no ano passado e que seria apenas um investigador local, não estando envolvido em nada dinâmico ou dramático.
Este tipo de situação chama a atenção de agências de investigação de cybercrimes no mundo todo para a necessidade de reverem seus métodos e protocolos com relação a manipulação de informações sensíveis por parte de seus funcionários.
Obviamente, que a ação dos hackers do “Anonymous” prejudica sensivelmente a atuação de cyber investigadores, uma vez que revela métodos de ação e técnicas de investigação.
Mas o pior de tudo é a manipulação por cybers investigadores, extremamente mal preparados, de informações sensíveis, até porque no caso em testilha o Agente envolvido não deveria ter acesso aos dados vazados uma vez que já estaria aposentado.
Novamente fica transparente que as investigações sobre cybercrimes no Brasil e no mundo somente transcorrerão de forma eficiente com profissionais preparados e bem treinados.
Qualquer tipo de ação improvisada por parte dos governos implicará, cedo ou tarde, em algum tipo de ação desastrada que acabará por expor ao ridículo a atuação de suas forças de combate a cyber criminalidade.

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