Brasil despreza totalmente questões relacionadas a cyber-ataques e segurança informática externa.

Cyberwar

Um novo estudo a ser divulgado em breve adverte que os Estados Unidos devem desenvolver inteligência cibernética como disciplina de governo e melhorar sua coordenação, a fim de prevenir e impedir cyberameaças.
Trata-se de um Relatório de Inteligência da “Intelligence and National Security Alliance” o qual afirma que a dramática expansão de sofisticados cyber-ataques que simplesmente ameaçam finanças ou propriedade intelectual foi além de perdas aceitáveis para o governo e as empresas.
“O impacto aumentou em magnitude, e o potencial de colapso catastrófico para uma empresa tem crescido”, diz o relatório, que está programado para ser lançado ainda neste mês de setembro, acrescentando que não está claro se a comunidade empresarial entende ou aceita isso.
O relatório vem em meio a preocupações crescentes quanto aos Estados Unidos estarem ou não preparados para os principais cyberataques, tais como aqueles advindos de hackers, criminosos e outras nações que continuam a sondar e se infiltrar em redes do governo e de negócios críticos, milhões de vezes por dia.
A “Intelligence and National Security Alliance”, diz que os Estados Unidos devem desenvolver estratégias, além da atual que preconiza apenas a política de “atualizar e orar” (patch and pray), criar procedimentos, criar políticas de inteligência cibernética, coordenar e compartilhar melhor a inteligência entre as agências governamentais e empresas e aumentar a investigação sobre a atribuição de ataques e ameaças.
A agência afirma que os Estados Unidos devem desenvolver uma inteligência cibernética eficaz para que funcionários possam avaliar e mitigar riscos.
Muitas das observações do relatório repercutem sentimentos expressados pelo Pentágono e funcionários do Departamento de Segurança Interna, que tem se esforçado para melhorar o compartilhamento de informações entre o governo e empresas-chave.
Mas os esforços necessários para elaborar uma legislação de segurança cibernética parecem ter estagnado no Congresso americano.
O relatório da “Intelligence and National Security Alliance” também aponta para as crescentes ameaças proporcionadas por outros países – incluindo aqueles que são amigáveis, corruptos ou apenas incapazes de controlar “hackers” dentro de suas fronteiras.
Embora não aponte o nome dos países, o relatório observa que muitos países não oferecem oportunidades adequadas para hackers, tal como eles fazem para criminosos e terroristas, sendo que muitas nações toleraram os criminosos, permitindo que eles concentrem suas atividades para além de suas fronteiras.
Autoridades dos Estados Unidos há muito tempo apontam para a Rússia, China e alguns países da Europa Oriental, como alguns dos principais refúgios seguros para “cybercriminosos”, ações criminosas patrocinadas por governos ou tolerância a atividades criminosas de “hacking”.
Ao mesmo tempo, o relatório adverte que os Estados Unidos têm também terceirizado muito da criação e manutenção de tecnologia de computadores para outros países onde os adversários em potencial podem facilmente inserir-se na cadeia de abastecimento.
“A situação atual é tão perigoso como se os Estados Unidos decidissem terceirizar o design de pontes, redes elétricas, e outras infraestruturas físicas para a União Soviética durante a Guerra Fria”, afirma o relatório da “Intelligence and National Security Alliance”, que é liderada pelo francês Townsend, que foi conselheiro de segurança na administração Bush.
Trazendo uma crítica a comunidade de inteligência em geral, e no rescaldo do 11 de setembro, o relatório diz que a inteligência cibernética nos Estados Unidos precisa de uma melhor coordenação entre as agências governamentais e o setor privado daquele país.
Este tipo de informação vem de encontro a uma constatação que pode ser observada no Brasil quando o assunto é “cyberwar”: a falta de capacidade do governo brasileira em criar ações articuladas e em coordenar os diversos órgãos de enfrentamento a cybercrimes em nosso país.
O assunto das cyberameaças tem obtido total destaque nas agendas de questões de segurança interne externa da maioria das nações desenvolvidas e em desenvolvimento, sendo relegado no Brasil a questão de somenos importância.
Aqui as pessoas parecem muito mais preocupadas em discutir apenas questões como o marco civil, que se preocupa muito mais em disciplinar questões relacionadas a anonimato e privacidade, do que com a segurança e desenvolvimento do país.
Há muito tempo que a segurança informática interna e externa tem sido relegada a segundo plano e até mesmo questões que envolvam a soberania nacional e o desenvolvimento econômico de nossa nação não tem sido levadas em consideração.
A terceirização de nossos sistemas tem sido quase que absoluta, sendo que inúmeros setores estratégicos de nosso país são abastecidos de forma absoluta com software e hardware de países que nos enxergam como competidores no cenário mundial.
É importante ser destacado que sistemas de controle de infraestruturas essenciais ao funcionamento e principalmente ao desenvolvimento de nossa nação estão tecnologicamente vinculados a empresas de países que nos veem como uma ameaça a seus negócios.
Mas o pior acaba sendo a incapacidade de nossos governantes na criação de protocolos de atuação e articulação de ações entre as diversas esferas de poder em nosso país.
As inúmeras agências ligadas a assuntos de cybersegurança nem mesmo se conhecem ou trocam qualquer tipo de informação, sendo que quando o fazem ocultam dados de extrema importância somente por questões pessoais.
Por tudo quanto restou exposto, não existe como qualquer pessoa que procure se inteirar a respeito do assunto aqui exposto, deixar de ficar preocupado com a inércia que tem acometido nossos governantes, o que somente é justificado quando se verifica a defesa de interesses corporativos em detrimento do interesse público.
O Brasil não tem uma legislação adequada para o enfrentamento dos cybercriminosos, não tem uma estratégia local e nacional para fazer frente às cyberameaças e também não demonstra qualquer tipo de interesse em dotar suas forças de segurança de capacitação para o enfretamento da criminalidade cibernética.
Talvez este tipo de procedimento por parte dos governos não gere problemas no curto prazo, mas com certeza deixará o país a sombra de todas as outras nações e permitirá que criminosos vejam o nosso país como um verdadeiro paraíso para suas ações.

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