O impacto da internet nas eleições brasileiras.

Net eleições

Em geral, as pessoas têm opiniões divergentes sobre a influência da internet na política.
Embora muitos estão usando a internet em números sem precedentes para saber mais sobre a eleição e interagir com os candidatos, campanhas e outros potenciais eleitores, suas percepções da influência da internet na política tem alguns tons negativos.
Percebe-se claramente que uma pequena parcela dos adultos que usam a internet expressam suas opiniões no sentido de que a mesma os ajudou a ser mais envolvidos na campanha e se sentem mais pessoalmente ligados ao seu candidato na eleição, o que nos permite afirmar que a Internet é um megafone para posições extremas e uma fonte de desinformação para muitos eleitores.
A internet provavelmente será um fator-chave muito importante para levar as pessoas a votarem nas eleições brasileiras em médio prazo, exatamente como ocorreu na última eleição nos Estados Unidos onde os democratas fulcraram suas esperanças de superar a vantagem republicana nesta área em eleições anteriores.
É fato que a internet se tornou uma parte fundamental do processo eleitoral nos Estados Unidos na eleição presidencial de 2004, com um quarto dos eleitores recebendo notícias online da eleição, e um em cada cinco usuários de Internet procurando notícias da eleição a cada dia.
Tal como no Reino Unido, onde o crescimento de notícias na Internet tem sido impulsionado pela expansão das conexões de banda larga.
E em ambos os países, a política na internet tem sido de particular interesse para os jovens, aqueles que têm ensino superior, e os homens, se tornando cada vez mais importante como uma ferramenta de mobilização dos partidos políticos.
Nos Estados Unidos a internet foi particularmente importante para levantar dinheiro para os democratas, que foram mais duramente atingidos pela reforma do financiamento de campanha iniciada em 2003.
O candidato democrata à presidência em 2004, John Kerry, levantou 25% do dinheiro para sua campanha on-line, contrariando a vantagem inicial do candidato republicano.
Mas os republicanos desenvolveram um altamente eficaz banco de dados que lhes permitiu estabelecer como alvo novos eleitores, o que ajudou na obtenção de grande número de apoiadores para votação no ano de 2004, desempenhando um papel crucial em sua apertada vitória eleitoral.
Em meados de 2006, a Internet tornou-se ainda mais importante para campanhas políticas.
Desta vez, foram os democratas que esperavam usá-la para superar a vantagem republicana e vencer a eleição, ao invés de se concentrarem na captação de recursos.
Assim, candidatos locais também incrementaram a participação dos eleitores em seus sites usando a internet para captação de recursos.
Mas os republicanos também usaram exaustivamente a sua base de dados para mobilizar simpatizantes, através do envio de e-mail e mensagens para telefones celular, buscando enfatizar para seus eleitores a necessidade de votarem, e dando informações sobre a eleição.
O uso do vídeo nas eleições é um exemplo de outra tendência marcante na campanha “online”, qual seja, a utilização de redes sociais para fazer campanha, explorando aspectos negativos da vida dos candidatos.
Nas eleições americanas para o Senado, os Republicanos ganharam ampla exposição de sua campanha publicitária quando conseguiram ligar o democrata Harold Ford Jr., com um modelo da “Playboy”, vinculando a sua campanha ao recebimento de dinheiro de “produtores de filme pornô”.
Em contrapartida, os “blogueiros” democratas encontraram fotos da filha do candidato republicano, Bob Corker, beijando uma menina na boca.
Também amplamente divulgadas na internet foram às declarações do republicano da Virgínia, Senador George Allen, que chamou um de seus críticos de “macaco” “em uma reunião pública.
O uso do vídeo nas campanhas políticas dos Estados Unidos reflete o aumento dramático da audiência em sites de compartilhamento de vídeo, os quais proliferam em número na internet.
Em média, os utilizadores de Internet nos Estados Unidos visualizaram 63 transmissões de vídeo por mês, ou dois por dia, com o “YouTube” e “MySpace” contabilizando 30% de todos os downloads de vídeo.
A eficácia deste marketing “viral” é uma estratégia que será acompanhada de perto pelos defensores do uso da internet nas eleições sejam quais forem as posições, favoráveis e contra.
Como a Internet continua a evoluir e tornar-se parte da vida moderna, especialmente para os mais jovens, tornou-se uma poderosa ferramenta política.
Agora que a corrida para ser o próximo presidente brasileiro está prestes a começar, a Internet tornou-se um instrumento fundamental para captação de recursos e simpatizantes, atraindo adeptos, e mobilizando os eleitores.
E os candidatos e partidos que têm aprendido melhor as peculiaridades que o uso da internet tem acabarão por obter uma grande vantagem na eleição de 2010.
Mas que não se enganem os entusiastas: existem condições para o desenvolvimento de instrumentos para que possam ser coibidos os abusos das campanhas políticas pela internet?
A resposta é forçosamente não!
Em processos extremamente voláteis e rápidos como os utilizados para a propagação de informações de campanhas políticas, somente o uso de ferramentas adequadas para investigação poderia contrabalançar o uso inapropriado da internet numa eleição, situação que ainda não corre em nosso país, onde os órgãos de investigação e de aplicação da Justiça não conseguem se movimentar na velocidade que se espera dos mesmos.
Além disso, a falta de capacitação técnica de todos os envolvidos na apuração deste tipo de infração, seja de natureza eleitoral ou de natureza criminal, favorece a disseminação da sensação de impunidade, o que, de certa forma, acaba por incentivar o uso inapropriado da internet.
Se um determinado internauta resolvesse postar diversas informações inverídicas através de um site como o “Twitter”, hoje tão popular, e fosse necessária uma rápida intervenção no sentido de excluir estas postagens e evitar sérios prejuízos a candidatos, como seria feito diante do fato de que não existem representantes da empresa responsável por aquele em território nacional?
Aguardar-se-ia a expedição de uma Carta Rogatória, cujo processamento levaria muitos meses?
Certamente o prejuízo para uma candidatura seria imenso e talvez inviabilizasse a eleição do candidato prejudicado.
Fato é que nas prévias de todos os partidos, inúmeros candidatos se viram prejudicados pela divulgação, na maioria das vezes infundadas, de falsas notícias sobre os mesmos pela internet, o que inviabilizou até as suas candidaturas.
Longe de uma visão inadequada a realidade que se avizinha é justamente a que estamos descrevendo, o que já pode ser visto em vários sites que publicam notícias sobre as eleições vindouras e permitem a postagem de comentários pelos internautas.
Ali podem ser assistidos ferrenhos debates sobre as notícias divulgadas, com defesas apaixonadas por parte de cada um dos protagonistas envolvidos e até mesmo ofensas pessoais que descambam invariavelmente em práticas criminosas, como calúnia, difamação e injúria.
Mas como coibir os abusos? Dispomos de recursos para identificar os que abusam do uso da internet em campanhas políticas? Como evitar a sensação de impunidade que leva muitos internautas a acharem que podem escrever o que bem entenderem de acordo com seus interesses pessoais?
A resposta será dada nos próximos meses, mas seja ela qual for estas eleições servirão para mostrar a fragilidade nas investigações de abusos praticados pela internet, o que, em última instância, certamente tem uma grande parcela de contribuição dos próprios políticos.

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