O papel do governo no avanço da cibercriminalidade

Cibercriminalidade

Diferentemente do governo dos estados Unidos que tem procurado intensificar a sua atuação em prol da segurança cibernética, o do Brasil deveria assumir um papel mais ativo em segurança na Internet, uma vez que a possibilidade de ataques oriundos daquela rede é hoje uma ameaça absolutamente considerável.
Comparando-se a era digital com os movimentos por maior segurança nos automóveis, é fato incontroverso uma maior regulamentação por parte do governo, poderia ser a única forma de forçar o setor público e privado a combater as ameaças cibernéticas de forma adequada, pois não podemos esquecer que a necessidade de serem criados novos regulamentos para os cintos de segurança e outros equipamentos do gênero fez as estradas mais seguras.
Só para ilustrarmos, temos a necessidade de proteger os sistemas financeiros e de energia, vitais para a segurança nacional e a vida diária, sem sufocar a inovação empresarial e a livre concorrência.
Neste aspecto, enquanto o Presidente Barack Obama declarou a seguridade cibernética como uma das principais prioridades no início de sua gestão, o governo brasileiro sequer se movimenta pela elaboração de uma legislação que possibilite repressão adequada às ameaças da cibercriminalidade.
As “fronteiras virtuais da internet” se tornaram tão importante para a vida dos brasileiros e o funcionamento de nossa economia, que já vão longe os dias em que poderíamos prescindir do acesso a ela em nossas vidas.
Há muitos anos o Brasil vem discutindo a criação de uma legislação que permita o combate adequado aos cibercrimes de forma a traçar um caminho que o governo e o setor privado possam trabalhar juntos para proteger redes de computadores, definir padrões da indústria e promover uma melhor consciência quanto ao uso da tecnologia.
Até o momento as discussões realizadas em nosso país têm girado em torno do interesse de grupos privados, como provedores de acesso e empresas de telecomunicações, os quais dizem que o governo deve oferecer incentivos financeiros e outros para compensar eventuais gastos que poderiam ter para se adaptarem a uma nova legislação, além de agirem em clara defesa de seus interesses de mercado.
Mas ninguém pode esquecer que os ataques cibernéticos já absorvem milhões de reais de nossa economia, e redes críticas como as redes elétricas, sistemas públicos como os da receita federal, além de redes de bancos e de instituições financeiras acabam se tornando alvos potenciais da ação de criminosos.
Informações são divulgadas diariamente dando conta de que redes como a da receita federal são atacadas milhões de vezes por dia, muito embora não existam investigações sérias que possam dar conta de tratar-se da ação de pequenos criminosos que apenas desejam informações estratégicas ou grupos criminosos com interesses contrários a soberania do país.
Assim como os carros não foram construídos para serem seguros, até o momento em que a pressão do governo mudou o comportamento dos fabricantes de automóveis por melhorias de segurança, o ciberespaço não será seguro enquanto não ocorrer a efetiva intervenção do governo na criação de legislação adequada.
O aumento da segurança exigirá regras para o setor privado, acordos internacionais e novas formas de melhorar a qualidade de nossos órgãos de investigação com investimentos na especialização daqueles que atuam na investigação dos delitos.
Também é fato que o governo não poderá agir sozinho, devendo trabalhar com o setor privado, porque este possui ou controla cerca de 85 por cento das redes de computadores, o que implica na realização de parcerias.
Enquanto isto, a única certeza é que o cidadão brasileiro não se encontra protegido e o setor privado perde vultosas quantias, seja na aquisição de tecnologia de proteção ou na condição de vítima da cibercriminalidade.

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