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Uma nova cepa do Trojan “Sykipot” tem sido utilizada para comprometer o acesso do Departamento de Defesa norte americano a redes de muitas agências de governo dos Estados Unidos, acesso este que é reforçado com o uso de “smart cards”, conforme informaram pesquisadores de segurança.
Os “smart cards” ou “cartões inteligentes” são uma forma padrão de concessão de acesso a funcionários militares da ativa, pessoas da reserva selecionadas, funcionários civis e técnicos com acesso elegível para as intranets do Exército e Marinha dos Estados Unidos além de instalações da Força Aérea.
Eles podem ser usados para entrar em edifícios ou, quando usado em conjunto com uma senha estática, para acessar redes.
Hackers chineses adaptaram o Trojan Sykipot para descobrir as credenciais do cartão em um sistema comprometido e poder acessar redes militares reservadas, de acordo com pesquisadores da empresa de ferramentas de segurança “AlienVault”.
Uma versão adaptada do Trojan transformou em alvos computadores ligados a leitores de “smart cards” que estejam executando o aplicativo cliente “ActivClient”, da “ActivIdentity”, o que tem sido descrito como um ataque “proxy” ao “smart card”.
O cavalo de Tróia Sykipot foi criado há três anos e seus ataques foram descritos como responsável por uma série de casos de espionagem industrial.
Pesquisadores da “AlienVault” teriam capturado em um “honeypot”, há cerca de duas semanas atrás, uma versão adaptada do malware especificamente concebida para contornar a tecnologia de autenticação fornecida pela “ActivIdentity”.
Uma análise posterior teria sugerido que hackers adicionaram um módulo de “smart card” no malware anteriormente existente por volta de março de 2011.
A “AlienVault” avalia que a nova cepa do “Sykipot” foi desenvolvida pelos mesmos autores chineses que criaram versões anteriores do malware, o qual teria sido visto pela primeira vez há cerca de três anos atrás.
Versões anteriores do Trojan teriam sido inseridas em mensagens de spam que tinham como alvo a próxima geração de “drones” da Força Aérea dos Estados Unidos.
Na realidade, estas mensagens buscavam direcionar usuários para download em um drive num site na internet infectado com o Trojan Sykipot, aproveitando-se de diferentes falhas de segurança no Internet Explore e no Adobe Reader.
O malware teria como propósito realizar ataques direcionados contra empresas de tecnologia aeroespacial, dentre outros alvos, tendo sido projetado para extrair informações comercialmente sensíveis de um sistema comprometido.
A mais recente série de ataques também seria realizada por intermédio do envio de e-mails de “pishing” que tentam enganar usuários levando-os a clicar em um link que efetua o “download” do malware Sykipot em suas máquinas.
Desta vez o malware utiliza um “keylogger” para roubar PINs associados com cartões inteligentes. Uma vez que os atacantes têm os códigos de autenticação e os PINs associados ganham o mesmo nível de acesso confiável a redes sensíveis do usuário cujas credenciais tenham furtado.
Os cyber-criminosos por trás dos ataques estão usando uma versão do Sykipot desenvolvida por volta de março de 2011, chamando a atenção por realizarem dezenas de ataques de uma só vez, de acordo com a “AlienVault”.
Jaime Blasco, gerente de laboratório da “AlienVault”, disse que as mensagens de chineses no código incorporado, o uso de servidores de comando e controle na China, bem como o uso de software exclusivo da China fornecem evidências de que hackers chineses estão, em última análise, por trás do ataque, acrescentando que o uso de “tokens” dinâmicos que oferecem dois fatores de autenticação poderia impedir esta linha de ataque.
A empresa “AlienVault” fornece tecnologia de segurança e registo de eventos e não compete com a “ActivIdentity”.
O gerente Jaime Blasco disse que não tinha fornecido para a “ActivIdentity” e nem para o Departamento de Defesa dos Estados Unidos amostras do malware ou os notificado sobre sua pesquisa, que foi divulgada através de um artigo publicado no New York Times na quinta-feira.
Cartões inteligentes da “ActivIdentity” são tema padrão no Departamento de Defesa dos Estados Unidos e numa série de outras agências do governo norte americano, sendo que dentre outros usuários dos mesmos podem ser citados a “Monsanto”, o “BNP Paribas” e a “Air France”, conforme teria informado o jornal New York Times.
Em resposta à pesquisa da “AlienVault”, a empresa “ActivIdentity” informou em um comunicado estar ciente dos relatórios recentes que supostamente teria identificado um método novo de ataque que poderia furtar informações, o qual seria baseado em “smart cards” certificados, acrescentando levar muito a sério esses relatos e estar trabalhando diligentemente para investigar esta ameaça em potencial, mas afirmou estar confiante de que a ameaça supostamente não representa risco imediato a seus clientes.
Fonte: John Leyden – The Register
Mensagens, atualizações de status, comentários, mensagens instantâneas, uploads de vídeos, tweets e textos têm se tornado uma parte regular da vida das pessoas.
No mundo 24/7 de hoje, estamos “logados” de todos os lugares, incluindo smartphones, dispositivos de jogos, tablets e laptops, e muitos pais simplesmente não sabem o que seus filhos estão fazendo, e muito menos quais os meios de comunicação social que eles estão usando.
Os mais afetados pelo uso inadequado da internet acabam sendo nossas crianças, as quais, na maioria das vezes, demonstram serem um alvo fácil para criminosos ou mesmo do uso criminoso de redes sociais e outros serviços.
A realidade é que a maioria das crianças começam a desenvolver relacionamentos “on-line” por volta dos oito anos de idade, geralmente através de sites que oferecem jogos e diversão.
Com 10 anos de idade, eles já evoluíram para jogos “multiplayer” e compartilham suas criações digitais e vídeos caseiros em sites como o “YouTube”.
Aos 13 anos, milhões de crianças já criaram contas em sites de redes sociais como o “Facebook”.
Mas existem muitos pontos positivos no que diz respeito à mídia social.
É uma forma divertida para as crianças interagirem com os amigos e também pode ser uma ótima maneira de aprender coisas novas, colaborar com os outros, expressar a criatividade, e desenvolver a sua própria personalidade.
O problema surge quando as crianças compartilham seus pensamentos privados, fotos, vídeos e informações pessoais.
Estes posts podem acabam por revelar muito informação privada de forma pública.
Um post de uma foto provocativa ou uma foto com uma garrafa de cerveja na mão poderia acabar prejudicando a reputação de uma criança.
Ainda mais preocupantes, são as questões de privacidade e segurança que vêm com redes sociais.
Comerciantes coletam dados com base na atividade “on-line” de seus filhos e, em seguida, direcionam anúncios a elas.
E agora com a habilidade de facilmente publicar a sua localização, a segurança física se torna uma preocupação que não pode ser desprezada de forma alguma.
Poucas pessoas poderiam ter uma ideia precisa sobre o efeito que uma rede social pode ter sobre o desenvolvimento infantil, mas fato é que os jovens precisam de alguma orientação sobre o uso das mesmas.
E como você pode ajudar seus filhos a tomarem boas decisões quando utilizam as redes sociais? Tenha em mente que:
• Sites de redes sociais como Facebook oferecem controles de privacidade para limitar quem vê as suas informações.
• Alguns sites exigem que somente crianças com idades superiores há 15 anos podem ter um perfil, o que não impede que crianças mais jovens possam criar e configurar contas mentindo sobre a idade que tenham.
• Devemos ter em mente que as redes sociais mantem as crianças e adolescentes ligadas aos amigos e proporcionam um ótimo espaço para que elas possam exprimir-se.
• Devemos ter em mente que mesmo com todos os controles que são oferecidos, não há garantia de privacidade.
• Ao permitir que seus filhos utilizem redes sociais, tenha em mente que as imagens inadequadas, posts e mensagens podem resultar em danos à reputação de uma criança, o que implica em vigilância constante.
• Esteja atento a forma como seu filho trata seus amigos porque ele pode postar informações que os identifique violando assim a privacidade dos mesmos.
Abaixo apresentamos algumas dicas que podem auxiliar os pais na utilização da internet por seus filhos de forma mais segura:
a)Dicas de comportamento dos pais com filhos mais jovens:
1º)Utilize adequadamente recursos de segurança para permitir ou não o acesso a determinados site por parte de seus filhos: Para crianças dos 5 aos 8 anos, existem sites com recursos de segurança, que ajudam as crianças a jogarem sem correr o risco de acessar conteúdos inadequados.
2 º)O Facebook não permite que crianças tenham perfis, se eles são menores de 18 anos. Como afirmamos anteriormente, a maioria das crianças e adolescentes, às vezes com o auxílio de seus próprios pais, mentem no cadastramento de suas datas de nascimento para conseguirem acesso. Mas Se você não deseja que seu filho tenha uma conta em redes sociais por não ter idade para isto, é necessário verificar o histórico do seu filho no navegador do computador, caso em que, se verificar que o Facebook está naquela lista, deve ter em mente que provavelmente seu filho tem uma conta naquela rede social.
3 º) Ensine seus filhos a pensarem antes de postar. Lembre a eles que tudo pode ser visto por um público vasto e invisível (também conhecido como amigos de amigos de amigos). Cada família é diferente, mas para as crianças do ensino médio, é uma boa ideia que os pais acessem as páginas de seus filhos, pelo menos no início, para ter certeza de que o que está sendo postado é apropriado. Os pais podem ajudar a manter seus filhos longe de algo que pode fazer com que a sua família, e não somente eles, se arrependam mais tarde.
4 º) Auxilie seus filhos a definirem suas configurações de privacidade. Configurações de privacidade não são infalíveis, mas são importantes. Aproveite o tempo para aprender como funcionam as configurações de privacidade nos sites favoritos de seus filhos, e ensine-os como controlar sua privacidade.
5 º) Ensine para seus filhos que se eles não tiverem coragem de dizer alguma coisa pessoalmente para alguém, também não o devem fazer postando na internet..
6 º) Você somente pode observar melhor seus filhos na internet se tiver uma conta nos serviços sociais que eles utilizam, sendo na maioria das vezes oportuno criar uma para você, a fim de ensiná-los como utilizar as redes sociais e até mesmo para tirar as suas dúvidas.
Dicas de comportamento dos pais com filhos já no ensino médio:
1 º) Converse com seu filho sobre a natureza do mundo digital. Lembre a eles que qualquer um pode ver o que está em suas páginas – mesmo se eles acham que ninguém vai. Potenciais empregadores e conhecidos, muitas vezes navegam em redes sociais. Ensine seus filhos adolescentes a pensar sobre quem pode ver suas páginas e como eles podem interpretar as mensagens ou fotos.
2 º) Estabeleça para seus filhos algumas regras sobre o que é e o que não é apropriado quando se comunicarem ou brincarem na internet. Lembre-se que mensagens com fotos ou comentários sobre o mau comportamento juvenil podem voltar para assombrá-los.
3 º) Deixe-os saber que qualquer coisa que eles criam ou usarem para se comunicar pode ser cortado, alterado, colado e enviado para outras pessoas. Uma vez que ele colocar algo nas suas páginas, ele estará fora de seu controle e pode ser tomado fora do contexto e usado para prejudicar a ele ou outra pessoa. Isso inclui conversas e fotos sobre sexo, drogas e álcool. Diga-lhe que o material “on-line” pode durar para sempre. Ensine que o que eles não iriam colocar na parede do corredor da escola, também não deve ser publicado “on-line”.
4 º) Advirta severamente seus filhos a não postarem a sua localização. As redes sociais permitem que crianças e adolescentes possam postar a sua localização, motivo pelo qual eles devem ser instados a não faze-lo.
5 º) Ensine seus filhos a utilizarem a internet de forma responsável. Estabeleça horários e ensine-os a dosarem seus horários com outros tipos de atividades.
Advogados norte americanos lutam para impedir que um homem de Rochester Hills venha a ser julgado criminalmente por supostamente invadir a conta de correio eletrônico de sua mulher, muito embora, uma mudança na lei estadual possa ser sua última esperança.
Leon Walker, de 34 anos, foi acusado em março, de acessar sem permissão a conta do Gmail de sua mulher.
Ele afirmou que descobriu a senha de sua esposa escrita num papel, Clara Walker, o que lhe levou a descobrir, através das mensagens acessadas, que ela estava tendo um caso extraconjugal.
O casal esta atualmente divorciado.
Um painel de três juízes do Tribunal de Apelações de Michigan, que posteriormente emitirá seu parecer, ouviu na terça feira os argumentos sobre o prosseguimento do caso ou não perante os tribunais do condado de Oakland.
O presidente do painel de juízes, Peter O’Connell, disse que a intenção dos juízes seria interpretar adequadamente as palavras da lei, não o que o legislador quis dizer, quando o estatuto “anti-hacking” americano foi promulgado no alvorecer da Internet há 22 anos atrás.
Os advogados de Walker argumentam que a lei seria voltada para aqueles que agem com a intenção de furtar, danificar ou fraudar, não para um marido que lê o diário de sua mulher ou outros documentos pessoais encontráveis em uma casa compartilhada.
O advogado de apelação de Walker, Matthew Klakulak, disse que a interpretação da lei por parte da Procuradora Estadual do condado de Oakland, Jessica Cooper, foi “ridícula”, isto porque poderia resultar em acusações contra pais que verifiquem o que seus filhos estão fazendo na Internet.
O procurador assistente do condado de Oakland, Jeffrey Kaelin, disse aos juízes estar convencido que a lei também deveria ser aplicada a pessoas que estão furtando o acesso dos vizinhos à Internet numa conexão “Wifi” após adivinharem a senha.
O advogado de Walker, Leon Weiss, disse que às vezes temos que pisar fora da construção rigorosa dos estatutos e aplicar o senso comum, alegando que o Legislativo americano jamais imaginou que delitos menores pudessem ser julgados com base num estatuto criminal, afirmando ainda que, se isto acontecesse, os promotores teriam que ser capazes de ir atrás de um monte de maridos e esposas.
Uma mudança na lei foi proposta em abril pelo Deputado por Rochester Hills, Tom McMillan, e está sendo estudada por uma comissão.
Está sendo proposta a exclusão de ilicitude de cônjuges e pais de filhos menores, no caso de eles compartilharem uma mesma casa, o próprio computador, não danificar ou apagar quaisquer documentos e não usar de força ou coerção para obter acesso a arquivos protegidos por senha e programas.
A proposta de McMillan também contém uma cláusula que tornaria a mudança retroativa para incluir casos anteriores, como o de Walker, que ainda pode resultar em condenação.
Fonte: The Detroit News
Uma falha de segurança no Facebook expos imagens particulares de inúmeros usuários, inclusive do fundador da Rede Social e CEO, Mark Zuckerberg.
As fotos do CEO que foram furtadas acabaram expostas no fórum “bodybuilding.com” na segunda-feira, incluindo instruções passo a passo para visualizar imagens privadas de usuários do Facebook que as tenham postado.
O responsável manipulou uma rotina que permite que as pessoas relatem fotos inadequadas de perfis para funcionários do Facebook.
Por esta rotina as pessoas poderiam reportar imagens inadequadas, mesmo quando as mesmas não estivessem acessíveis a todos, mas somente para um conjunto seleto de amigos.
Nem todos os participantes do fórum tiveram sucesso, muito embora aqueles localizados nos Estados Unidos conseguiram melhores resultados do que outros.
Algumas horas após a vulnerabilidade ter sido relatada, 13 imagens supostamente obtidas a partir da conta de Zuckerberg foram postadas abaixo de uma manchete que dizia: “É hora de corrigir as falhas de segurança do Facebook”.
As imagens divulgadas mostram Zuckerberg comendo e bebendo com os amigos, conversando com o presidente Barack Obama, e segurando o que parece ser um frango recém-abatido, em função de uma predileção recente por comer carne que ele mesmo tenha abatido.
Representantes do Facebook não responderam a questionamentos feitos pela imprensa buscando detalhes sobre a vulnerabilidade de segurança que foi relatada, nem mesmo comentaram sobre as fotos de seu CEO que foram divulgadas.
Não é a primeira vez que alguém descobriu como contornar permissões no Facebook, as quais foram projetadas para dar aos usuários um controle rígido sobre quem consegue ver as imagens e anúncios colocados nas suas páginas.
Em 2008, um técnico de informática canadense foi capaz de ver fotos particulares de Paris Hilton, Zuckerberg e outros, adivinhando a ID da foto.
Já no ano passado, a rede social foi pega expondo o nome e a foto de todos os seus 500 milhões de usuários quando seus endereços de e-mail eram digitados na página de “log-in”.
A descoberta de mais um buraco na segurança do Facebook é apenas o mais recente lembrete de que a única forma a fim de que algo não seja publicado para o mundo é mantê-lo fora da internet.
Sistemas de permissão como os utilizados no Facebook e outros sites podem fazer os usuários se sentirem melhor, mas têm pouco efeito sobre hackers com determinação suficiente ou tempo em suas mãos.
Fonte: Dan Goodin – The Register
Num momento que tem sido encarado pela maioria das empresas como o de adiar a sua implantação, é necessário que se tenha ciência de vulnerabilidades escondidas no protocolo “IPv6”.
A maior e mais iminente ameaça à segurança está no fato de que as redes das empresas já tem toneladas de dispositivos habilitados para “IPv6”, incluindo dispositivos com o Windows Vista ou Windows 7, Mac OS / X e dispositivos Linux e BSD.
Importante se destacar o fato de que, ao contrário de seu antecessor, o “DHCP” do “IPv4”, o “DHCP” do “IPv6” não necessita de configuração manual.
Esta característica de auto-configuração significa que com o “IPv6” habilitado dispositivos estarão apenas esperando por um anúncio único de um roteador para se identificar na rede.
Também é importante se destacar que numa rede apenas com “IPv4” roteadores e switches não reconhecem ou respondem a anúncios de dispositivo “IPv6”, mas um roteador “IPv6” não autorizado pode enviar e interpretar este tráfego.
Pela característica da auto-configuração, o “IPv6” permite que qualquer dispositivo esteja habilitado para se comunicar com outros dispositivos de rede “IPv6” e serviços na mesma LAN.
Para fazer isso, o dispositivo anuncia sua presença e é localizado através do “IPv6 Neighbor Discovery Protocol” (NDP).
O problema é que não gerenciar adequadamente o protocolo NDP pode trazer uma série de problemas, especialmente o de por e expor dispositivos para que atacantes possam colher informações sobre o que está acontecendo dentro da rede, ou até mesmo permitindo que o próprio dispositivo possa ser capturado e transformado em um “zumbi”.
Pesquisadores do mundo todo tem observado que os “bots” estão intensificando o uso do “IPv6” como um canal secreto para se comunicar com seus “botmaster”.
Entre os seus muitos disfarces, malwares habilitados para o “IPv6” podem assumir a forma de uma carga maliciosa encapsulada em uma ou mais mensagens “IPv4”.
Sem medidas de segurança específicas para “IPv6”, tais como inspeção profunda de pacotes, este tipo de carga pode passar pelo perímetro “IPv4” e defesas “DMZ” sem ser detectada.
Uma solução para problemas “IPv6” na camada 2 pode ser o uso do “SEND” (Secure Neighbor Discovery) o que permitiria lidar com ameaças como “RA e NDP spoofing”, equivalentes a ameaças no protocolo “IPv4” do tipo “DHCP spoofing” e “ARP spoofing”.
Alguns fornecedores de sistemas operacionais tem dado seu apoio ao uso do “SEND”, enquanto outros, principalmente a Microsoft e a Apple, não.
Entidades como a empresa “Cisco” e o “IETF” (sigla em inglês de Internet Engineering Task Force) estão em processo de implementação de mecanismos de segurança para “IPv6” que atualmente são utilizados para proteger “IPv4” contra essas ameaças.
O “IETF” está trabalhando num grupo de trabalho denominado SAVI (Source Address Validation), enquanto a “Cisco” está implantando um plano de três fases iniciado em 2010 para atualizar seus sistemas operacionais e que será totalmente adotado em algum momento em 2012, dependendo do tipo de “switch” que deverá ser atualizado.
Também tem sido destacado por pesquisadores que alguns dos riscos de segurança do “IPv6” podem ser acidentalmente criados por dispositivos de rede de usuários final, sendo que uma configuração adequada e medidas de segurança “IPv6” eliminariam muitos desses riscos.
A resposta a este tipo de problema é implantar segurança “IPv6” nativa para proteger o tráfego “IPv6” no mesmo nível e contra os mesmos tipos de ameaças que já são defendidos no “IPv4″.
Também existe uma falsa percepção de que o “IPv6” é nativamente mais seguro do que o “IPv4”, haja vista que o suporte “IPSec” é obrigatório no IPv6.
Além dos desafios práticos associados à implantação em larga escala de “IPSec”, o conteúdo do tráfego “IPSec” encapsulado se torna invisível para dispositivos (roteadores / switches / firewalls), interferindo com suas funções de segurança.
Por esta razão, um grupo de trabalho do “IETF” está considerando uma mudança que faria o suporte “IPSec” apenas “recomendado” e não “necessário” em implementações “IPv6”.
Já a possibilidade de desabilitar o “IPv6” é uma má ideia por duas razões: primeiro porque a Microsoft afirma não ser possível dar suporte a desativação do “IPv6” em seus sistemas operacionais, como ocorre por exemplo no Windows 2008, e segundo porque se trata de uma estratégia no mínimo tola, uma vez que, com ou sem o “IPv6”, dispositivos habilitados vão continuar a aparecer na rede.
Mas ameaças à segurança a parte, existe uma situação de negócios em que a implantação do “IPv6” está cada vez mais difícil de ser ignorada: Bancos e Corretoras que atuam “on-line” já enfrentam o desafio de perder a comunicação com clientes internacionais cujas redes já não suportam o “IPv4”.
Empresas como a “Telefônica” e a “T-Mobile” estão abraçando o “IPv6” intensamente, especialmente em suas bases europeias.
Além disso, o governo dos Estados Unidos tem migrado suas redes para o “IPv6”, e solicitado que provedores e fornecedores ofereçam mais produtos e serviços “IPv6”.
Empresas que se coloquem numa posição de não pode interagir com seus clientes estão fadadas a fracassarem em suas estratégias, muito embora neste momento possa ser observada uma migração gradual para o “IPv6”.
Atualizar por atacado redes na internet para o “IPv6”, não é algo prático e nem eficaz de ser feito, pois as empresas necessitam de uma abordagem muito mais equilibrada.
Provedores de serviço, que consomem endereços mais rápido do que qualquer outro, são os primeiros na fila para upgrades “IPv6”, seguido por provedores de conteúdo e finalmente, os usuários finais, em cuja residência roteadores são ainda 99% baseados no “IPv4”.
Quando for necessário atualizar para “IPv6”, deve ser levado em conta o balanceamento da carga da rede e a transição dos serviços existentes, além de se preservar a conectividade “IPv4” na rede interna.
Ao se construir o próximo conjunto de serviços, a demanda deverá ser “dual-stack”, com plena capacidade para lidar com arquiteturas “IPv4” mais antigas, o que irá permitir a construção de negócios com melhor retorno sobre o investimento.
Além do mais, importante se levar em consideração que qualquer transição deve ser projetada para ser transparente para o usuário final.
A empresa “Juniper Networks” informou que até agora a maioria dos seus clientes solicitando serviços “IPv6” são do setor de educação e governo, especificamente laboratórios de pesquisa universitários e unidades governamentais, uma vez que os mesmos devem atender a demanda por formação de mão de obra para lidar com o “IPv6”.
Enquanto não há uma maneira de se prever com certeza exatamente quanto tempo vai demorar até que todos os endereços “IPv4” estejam esgotados, estatísticas diárias são frequentemente citadas como uma fonte confiável.
O “Modelo de Huston” (Huston’s Dynamic Equilibrium Model), baseado em fontes públicas de dados obtidos a partir de informações divulgadas pela “I.A.N.A.” e por escritórios regionais de registro de internet, prevê o esgotamento completo de todos os endereços “IPv4” ainda não alocados em 2014.
No entanto, é importante notar que o “Modelo de Huston” não é considerado nos endereços que possam ser alocados por organizações privadas para uso futuro ou venda, podendo ser dado como exemplo a aquisição recente de mais de 600.000 endereços “IPv4” pela Microsoft numa compra de ativos da falência da Nortel.
Embora possa ser seguro assumir que endereços “IPv4” suficientes estarão disponíveis no curto prazo, muitos preveem um aumento de custos com a diminuição da oferta.
Sem terem sido estabelecidas as melhores práticas para o “IPv6”, muitos administradores de redes têm relutado em agir.
Porém, com as crescentes ameaças de segurança e preocupações sobre a perda de comunicação com clientes que já estão migrando seus sistemas para o “IPv6”, esperar que os outros mudem primeiro sem fazer nada não é uma posição neutra como pode parecer.
A fase de planejamento é o melhor momento para estabelecer-se ou reestabelecerem-se laços com fornecedores de rede da sua confiança e que possam oferecer arquitetura de segurança e orientação, junto com soluções escaláveis para uma ampla gama de opções de migração.
Fonte: Network World
Delegados de todo o mundo estarão reunidos na França nesta semana para discutir o único tratado internacional que lida com crimes cibernéticos, tratado este que sofreu sob o fogo cerrado de alguns países, mas que foi defendido por outros como um instrumento fundamental no combate ao crime eletrônico.
Na próxima quarta-feira ocorrerá o 10º aniversário da Convenção sobre o Cibercrime, também conhecida como Convenção de Budapeste.
O tratado, que foi aberto para assinaturas em Novembro de 2001, estabelece diretrizes para leis e procedimentos que deveriam lidar com a criminalidade na Internet.
O tratado criou uma base para a criação de leis em todo o mundo, exigindo que os países que aderissem ao mesmo tratassem de forma uniforme o cibercrime, além de obrigar a criação de redes de contatos entre forças policiais que estivessem disponíveis 24 horas por dia/sete dias por semana.
A Convenção é supervisionada pelo Conselho da Europa, uma organização fundada em 1949, que também supervisiona a Convenção Europeia dos Direitos Humanos.
Países integrantes do Conselho da Europa podem assinar o tratado e, uma vez que a sua legislação nacional esteja em conformidade com o mesmo, podem ratificá-lo.
Países de fora do conselho são convidados a aderir ao tratado.
Até agora 32 países ou ratificaram ou aderiram e outros 15 países assinaram o tratado mas não o ratificaram, justamente o caso do Brasil.
Outros oito países foram convidados a aderir.
O ritmo nos últimos 10 anos tem sido lento, mas não inédito para um tratado internacional.
Alguns países como a Rússia não assinaram o tratado, sendo que suas autoridades expressaram preocupação sobre suas disposições ao alegar que violaria as normas do direito internacional e a soberania das nações.
Rússia, junto com China, Tadjiquistão e Uzbequistão enviaram uma carta em setembro à ONU pedindo uma resolução sobre um código de conduta no ciberespaço, o que poderia incluir disposições destinadas a interromper o uso da Internet por terroristas.
Muitos países, dentre os quais os Estados Unidos, viram a proposta russa com desconfiança, acreditando que poderia ser motivada por uma intenção de criar um instrumento legal que poderia ser invocado para reprimir injustamente dissidentes que utilizassem a internet.
As intenções expressas na proposta da Rússia, no entanto, não estão necessariamente em desacordo com a Convenção de Budapeste, segundo afirmou Alexander Seger, chefe de proteção de dados e da divisão de cibercrime do Conselho da Europa.
A Convenção de Budapeste concentra-se no crime, não no que chamou de “cyber questões” entre Estados-nações no que diz respeito à segurança nacional, motivo pelo qual talvez seja necessário negociar um código de conduta.
Provavelmente seria quase impossível se negociar um tratado, como a Convenção de Budapeste hoje porque as negociações seriam muito difíceis, alegou Seger, que ainda acrescentou que a convenção é uma das melhores ferramentas disponíveis para enfrentar a ameaça de cibercriminalidade.
O tratado tem sido essencial para que sejam estabelecidas regras básicas uniformes para lidar com crimes cibernéticos, os quais quase sempre envolvem criminosos de outros países, alertou Pedro Verdelho, um promotor que investigou o cibercrime por 11 anos e ensinou criminalidade informática e direito penal no Centro de Estudos Judiciários em Lisboa.
Segundo Verdelho, se você não tem os instrumentos legais, não pode cooperar.
A maioria dos incidentes relacionados à cibercrimes na Austrália são quase todos originários de ataques de fora daquele país, alertou Neil Gaughan, Comissário Assistente e Gerente nacional de operações de crimes de alta tecnologia para a Polícia Federal Australiana (AFP).
A “A.F.P.” troca informações quase que diariamente com forças policiais de fora da Austrália sobre questões ligadas à cibercriminalidade, motivo pelo qual entende que o tratado facilitou esta tarefa.
A Austrália espera aderir ao tratado logo depois que alterar sua legislação para que fique em conformidade com o tratado.
Para que seja possível a abertura de um processo relacionado à cybercrime num país, e necessário que a conduta incriminada naquela também seja crime em qualquer outro país que esteja envolvido nas apurações, justamente um dos objetivos da convenção.
O tratado também determina que tipo de procedimentos de investigações são permitidas, tais como interceptação de dados ou pesquisas em computadores.
A conferência deste ano sobre o tratado, que vai até terça-feira da próxima semana em Estrasburgo, terá a participação de Howard Schmidt, Coordenador de Cibersegurança dos Estados Unidos, James Brokenshire, Ministro de Assuntos Internos, Criminalidade e Segurança do Reino Unido e Robert McLelland, da Procuradoria Geral da Austrália.
Alexander Seger antecipou que o comitê da convenção do cibercrime deverá começar seus trabalhos discutindo sobre recomendações para a criação de regras mais claras sobre como dados podem ser acessados em “Data Centers”, ou seja, “computação em nuvem”.
Alexander Seger alertou que, atualmente, com a “computação em nuvem”, as agências de segurança ainda não sabem onde os dados estão efetivamente localizados, afirmando que as discussões poderiam girar em torno de questões a respeito de como as outras partes devem ser informadas e que tipo de prova eletrônica obtida será admissível nos tribunais.
Ainda segundo Seger, a comissão poderá, eventualmente, emitir recomendações não vinculativas, denominadas “Soft-law Instrument”, além de poder decidir acrescentar disposições sobre o próprio tratado como um protocolo, o que exigiria a ratificação pelas nações.
Por fim, Seger alertou que as conversações deverão demonstrar que os defensores da Convenção de Budapeste “não são estáticos”.
Fonte: Jeremy Kirk, IDG News Service
Conheça os bastidores do Departamento de Investigação Criminal do Cantão Suíço, instituição que criou o Serviço de Informática Judiciária, unidade especializada para atuar com a criminalidade praticada pela internet e os crimes relacionados ao uso da tecnologia.
Fonte: SF/swissinfo.ch
Um Hacker destruiu uma bomba usada por uma concessionária de serviços de água nos Estados Unidos depois de ganhar acesso não autorizado ao sistema de controle industrial utilizado para operar as máquinas, segundo alertou um especialista em segurança de computadores.
Joe Weiss, sócio-gerente da empresa “Applied Control Solutions”, disse que a violação foi provavelmente realizada após o atacante invadir o fabricante do software de controle de supervisão e aquisição de dados usado pela concessionária e furtado nomes de usuários e senhas pertencentes a clientes daquele fabricante. O atacante desconhecido teria utilizado endereços “I.P.” alocados para a Rússia.
Weiss citou um relatório oficial do governo do estado, onde estaria localizado o distrito regional da concessionária. Ele é datado de 10 de novembro, dois dias após a invasão ter sido descoberta. O documento indica que a concessionária havia enfrentando problemas inexplicáveis com o seu sistema informatizado nas semanas que antecederam a violação.
Durante um período de dois a três meses, problemas menores teriam sido observados no acesso remoto ao sistema de controle de água denominado “Scada”, segundo teria afirmado Weiss durante uma entrevista, na qual ele leu uma parte do documento.
Ainda segundo ele, os atacantes foram capazes de queimar uma das bombas de água da concessionária, fazendo com que tanto a bomba como o sistema “Scada”, que a controlava ligasse e desligasse repetidamente.
Weiss disse que teria obtido o relatório sobre a condição de que o nome da companhia de água e o estado onde está localizada não fossem divulgados.
Uma declaração emitida pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos indica que a concessionária estaria localizada em Springfield, no Estado de Illinois.
Weiss publicou minuciosos detalhes do episódio porque queria chamar a atenção para o incidente, o qual, segundo ele, levanta sérias preocupações sobre a capacidade do governo dos Estados Unidos de garantir segurança mínima para sua infraestrutura crítica.
“Este é realmente algo grande, e como algo tão grande, algo não está sendo dito ou não está sendo feito”, teria afirmado Weiss, que ainda acrescentou “que diabos está acontecendo com o Departamento de Segurança Interna? Por que não as pessoas não estão sendo notificadas?”.
Ele disse que desconhece qualquer concessionária de água ou outros operadores que utilizem o “Scada” que estejam sabendo sobre o ataque.
Em um e-mail o porta-voz do Departamento de Segurança Interna do Estados Unidos, Peter Boogaard, teria escrito que o Departamento e o “F.B.I.” estariam reunindo todos os fatos que cercam o relatório sobre uma falha numa bomba de água em Springfield, no Illinois, sendo que não existiriam no momento dados com credibilidade que pudessem corroborar ou indicar algum tipo de risco para as entidades relacionadas a infraestrutura crítica dos Estados Unidos ou algum tipo de ameaça à segurança pública.
Fato é que a imprensa americana foi incapaz de verificar as afirmações contidas no relatório.
Um pesquisador de segurança, sem filiação a Weiss teria afirmado que não existia nenhuma razão óbvia para duvidar que o ataque tivesse ocorrido da forma como foi descrito.
Rick Moy, presidente e CEO da “NSS Labs” teria afirmado que este tipo de notícia não é surpreendente, pois inúmeros sistemas estão conectados à internet como não deveriam estar, tornando este tipo de ataque muito plausível.
Ao longo dos últimos anos, a vulnerabilidade dos sistemas de controle usados para operar centrais elétricas, refinarias, empresas de gás e outros sistemas industriais tem sido enfatizada por uma variedade de eventos.
O principal deles foi o “worm” de computador “Stuxnet” que se infiltrou nos sistemas de controle de centrífugas do Irã e interrompeu o programa nuclear daquele país.
No início deste ano, o pesquisador de segurança Dillon Beresford divulgou “bugs” em sistemas de controle amplamente utilizados, afirmando que os mesmos eram de grande alcance e poderiam afetar todos os países industrializados ao redor do planeta.
Mais recentemente, pesquisadores descobriram um “malware” altamente sofisticado que foi apelidado como “Duqu” e que teria se infiltrado em pelo menos oito tipos de instalações industriais em todo o mundo após explorar uma vulnerabilidade até então desconhecida no Microsoft Windows.
Alguns pesquisadores afirmam que o “Duqu” teria sido criado por pessoas com laços estreitos com o “Stuxnet”.
Weiss disse que ainda existe a possibilidade de que os atacantes que obtiveram as senhas da concessionária de água possam ter obtido outras de vários clientes do fabricante do sistema Scada, deixando aberta a possibilidade de que outras instalações industriais também estariam suscetíveis ou poderiam já ter sido violadas.
Fato é que muitos sistemas de controle industrial dependem de senhas que são codificadas diretamente no hardware, tornando difícil a mudança das senhas furtadas sem causar problemas sérios.
Weiss disse que os objetivos e as identidades dos agressores permanecem um mistério, levantando a possibilidade de que este tipo de ação possa ter sido realizada por algum outro país fazendo reconhecimento de sistemas, hackers que desejavam apenas se divertir ou algum grupo criminoso que desejaria apenas criar um elaborado esquema de extorsão, ressaltando que até poder se encontrar quem fez isso, não há nenhuma maneira de saber qual a sua motivação.
O Departamento de Justiça dos EUA tem se mostrado favorável a criação de leis que tornariam em crime o uso um nome falso no Facebook ou uma mentira sobre seu peso num perfil de namoro, tudo com o propósito de defender melhor as pessoas contras os crimes que são praticados na internet.
Num comunicado obtido pela “CNET”, que está programado para ser entregue amanhã, o Departamento de Justiça argumenta que ele deve ser capaz de processar violações dos sites com base nos termos de serviço e políticas de uso, muitas vezes ignorados e quase sempre ininteligíveis.
Segundo o que Richard Downing, chefe adjunto de cybercrimes do Departamento de Justiça, vai dizer junto ao Congresso dos Estados Unidos, a lei deve permitir que seja possível a abertura de processos com base na violação de termos de serviço ou acordo contratual, da mesma forma como ocorre com um empregador ou prestador de serviços.
Sem o necessário escalonamento da lei seria difícil ou impossível deter e endereçar ameaças internas graves através do processo penal, o que colocaria em risco os processos envolvendo furto de identidade, uso indevido de bases de dados do governo e invasões de privacidade, conforme afirmou Downing.
A lei em questão, a “Computer Fraud and Abuse Act”, foi utilizada pelo Departamento de Justiça para processar uma mulher, Lori Drew, que usou uma conta falsa no MySpace para atacar verbalmente uma menina de 13 anos, que depois cometeu suicídio.
Teria sido possível o uso desta lei uma vez que os termos de serviço do MySpace proibiam que seus usuários encenassem outra identidade, motivo pelo qual Drew foi condenada por violar a “C.F.A.A.”, muito embora sua condenação tenha sido posteriormente revista.
O que tornaria possível o escalonamento no uso da lei seria uma seção do “C.F.A.A.” que não seria originalmente destinada a ser utilizado dessa forma: a proibição de uso geral em qualquer ato baseado em computador que possa “exceder o acesso autorizado”.
Para o Departamento de Justiça, isto significa que os termos de uso de um site definem o que é “autorizado” ou não, e ignorá-los pode transformar uma pessoa num criminoso.
Uma carta teria sido enviada ao Senado dos Estados Unidos em agosto por uma coalizão esquerda-direita, que incluiriam organizações como “A.C.L.U., “Americans for Tax Reform”, “Electronic Frontier Foundation” e “FreedomWorks”, a qual alertava exatamente sobre isso. Alegando que se uma pessoa assumisse uma identidade fictícia em uma festa, não praticaria um crime federal, porém, se ela assumisse uma identidade fictícia numa rede social que proíbe pseudônimos, isto poderia ser considerado uma violação ao “C.F.A.A.”, o que para estas organizações seria o mau uso da lei.
Orin Kerr, um ex-promotor do Departamento de Justiça especializado em cybercrimes é atualmente professor de Direito na “George Washington University”, diz que os argumentos do governo são fracos.
Kerr, que também é testemunha diante de um subcomitê Judiciário da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, teria dito que o Departamento de Justiça afirma ter interesse em fazer cumprir os Termos de Uso e políticas de uso de computadores com base na “C.F.A.A.”, mas seus exemplos consistem principalmente em casos nos quais a conduta descrita já teria sido criminalizada por outros estatutos além do “C.F.A.A.”, afirmando ainda que o adequado seria apenas preservar a capacidade do governo em processar nos demais casos, enquanto não aumentassem os problemas de liberdades civis no estatuto atual.
Kerr dá ainda outros exemplos de termos de violações de serviço que se tornariam crime com o pretendido escalonamento proposto pelo Departamento de Justiça.
Se o Google diz que você não pode usar seus serviços caso não tenha a idade legal para assinar um contrato vinculativo, isto iria implicar em que milhões de adolescentes poderiam ser considerados criminosos.
Em outro exemplo, uma pequena mentira a respeito da idade ao realizar cadastro num site de relacionamentos como o “Match.com”, implicaria em prática criminosa, situação que aos olhos de Kerr não deve ser levada a sério para que alguém possa ser considerado criminoso.
Mas o Departamento de Justiça norte americano discorda.
De fato, como parte de um amplo esforço para reescrever as leis de segurança cibernética, a Casa Branca propôs a ampliação do alcance da “C.F.A.A.” não se limitando ao âmbito atual.
Stewart Baker, um advogado que era anteriormente secretário-assistente da Segurança Interna dos Estados Unidos e conselheiro geral da Agência de Segurança Nacional, sugeriu que as propostas do governo para expandir a “C.F.A.A.” são draconianas, argumentando que a atualização por duas vezes de direitos autorais de vídeos do “YouTube” seria um padrão de extorsão com sanções penais muito mais severas, caso a Justiça americana trilhasse este caminho.
Em uma espécie de ataque preventivo contra as correções propostas por Kerr e Downing, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos afirma que o “C.F.A.A.” criminaliza corretamente atividades online impróprias.
Mas Downing rebate estes argumentos dizendo que as empresas devem ter confiança de que podem permitir que seus clientes acessem determinadas informações em seus servidores, tais como informações sobre suas próprias ordens e informações de clientes, mas que também possa ter a certeza de que os clientes que intencionalmente excedam essas limitações e obtenham acesso a informações proprietárias do negócio ou informações de outros clientes podem vir a ser processados.
Generosamente, o Google tem oferecido ignorar “Hotspots Wi-Fi” que foram renomeados há pouco tempo com um “_nomap”, a fim de evitar que os bisbilhoteiros possam saber o que você não quer que eles saibam.
De se destacar que o Google registra a localização de roteadores Wi-Fi para ajudar que seus serviços de localização e identificação possam ter a informação do roteador mais próximo e identifiquem locais de forma mais clara, bem como possam obter de forma mais fácil coordenadas GPS.
Mas até mesmo o Google aceita que nem todos querem compartilhar este tipo de informação.
Num “post” intitulado “Global Privacy Council”, publicado no blog “the Chocolate Factory’s”, é explicado que o Google considerou fornecer uma ferramenta online que permitisse que as pessoas pudessem optar por sair de sua base de dados, mas rejeitou a ideia uma vez que não poderia impedir que indivíduos mal-intencionados optassem pela saída à força daqueles que não o quisessem, ou seja, o Google não poderia impedir que hackers pudessem optar pela saída de todos automaticamente, porém o Google decidiu mudar apenas os nomes que pudessem ser necessários.
No “Google Streetview” os equipamentos dos carros registram a localização de cada “hotspot Wi-Fi” por onde passaram, ocasionalmente (e acidentalmente) também pegam um bloco de dados.
Esses registros permanecem intactos, mas são constantemente atualizados quando alguém usa o “Google Maps” e leva algum tempo para as coordenadas GPS serem corrigidas.
Telefones Android regularmente retornam atualizações para o “Googleplex”, (um complexo de edifícios que formam a sede da empresa Google e que fica na cidade de Mountain View, Califórnia, Estados Unidos) mantendo os locais de cada roteador Wi-Fi (com um “SSID” publicamente propagado) constantemente atualizado e tornando mais fácil para que todas as pessoas possam identificar onde é que eles estão.
Um GPS funciona bem, mas tem dificuldade em obter sinal em ambientes fechados, bem como gastam algum tempo para corrigir as informações que obtém.
Agora se você sabe mais ou menos onde se encontra, as informações podem ser obtidas por um GPS de forma muito mais fácil, portanto, um telefone Android busca primeiro roteadores Wi-Fi pelos locais e pede ao Google uma localização aproximada com base nesses (a localização das E.R.B’s de telefonia celular são mantidas atualizadas da mesma maneira).
Por fim, a localização aproximada é então usada para simplificar os cálculos GPS, a menos, é claro, que o roteador Wi-Fi local esteja com a tag “_nomap”, caso em que o Google promete ignorar a informação.
É claro que os usuários locais do “Google Maps” depois que saírem vão ter aprender a serem pacientes.




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